Comunitários monitoram peixes migratórios na região

agosto 31, 2018


Monitoramento é feito com uso de aplicativo 'Ictio' desenvolvido para descobrir os caminhos que espécies fazem durante processo migratório que inicia nos Andes e passa por estados como o Pará, no Brasil.

A estudante Wândria Silva da Rocha, 13 anos, é motivo de orgulho para o pai, o pescador Wilson Nogueira da Rocha. Desde que a garota passou a integrar uma equipe de quatro jovens, que têm a missão de monitorar espécies de peixes que são capturadas diariamente pelos pescadores da comunidade Aracampina, localizada à margem direita do Rio Amazonas, em Santarém, no oeste do Pará, na casa dela, o assunto educação ambiental despertou o interesse da família pela preservação do meio ambiente, sobretudo dos rios de onde é tirado o alimento dos moradores.

Além disso, a pesca é principal fonte de renda das famílias. Garantir a preservação dos recursos pesqueiros e motivar a integração das comunidades tradicionais nas ações ambientais são alguns dos principais objetivos do projeto Ciência Cidadã, que está sendo desenvolvido na Amazônia.


Por meio de um aplicativo (Ictio - peixe em grego), a estudante, que cursa a 8ª série, coleta, duas vezes por semana, dados sobre peixes migratórios de lagos e rios da região amazônica. O trabalho é feito na própria comunidade, no contato direto com os pescadores artesanais.

Quando as embarcações chegam trazendo os pescados, os jovens pesquisadores caem em campo. Informações sobre peso, espécie, data, local de captura e tamanho são armazenadas para serem analisadas pelos pesquisadores que integram o projeto Ciência Cidadã.

Esses dados vão subsidiar os estudos técnicos sobre a diversidade do pescado local e definir diretrizes para a conservação dos recursos pesqueiros, além de contribuir para o desenvolvimento sustentável da pesca na região.

Neste primeiro momento, Wândria e seus colegas coletores estão na fase experimental do uso do aplicativo. Mas já fizeram coletas de algumas espécies que são mais comuns nos rios da comunidade. “Estou muito entusiasmada em fazer esse trabalho. Representar a minha comunidade, a minha família, num projeto que cuida do meio ambiente, protege os nossos peixes tem sido muito importante. Isso vai fazer muita diferença na minha vida lá na frente”, diz a estudante.

A mesma opinião tem o pai da jovem. Seu Wilson considera fundamental o engajamento dos jovens nesse processo de preservação ambiental por meio da tecnologia. “Muitos de nós temos essa consciência sobre pesca predatória, sobre os riscos de extinção de algumas espécies de peixes ameaçados na bacia amazônica. Mas são os jovens que vão ajudar a divulgar essa preocupação para as futuras gerações. Hoje em dia, a tecnologia faz parte da vida da juventude e poder falar sobre educação ambiental de uma maneira prática, pelo celular, é um incentivo a mais para nossos filhos”, completa o pescador.


Sobre a iniciativa


O projeto Ciência Cidadã é desenvolvido nas comunidades de Aracampina e Solimões, à margem esquerda do Rio Tapajós, em parceria com a Sociedade para a Pesquisa e Proteção do Meio Ambiente (Sapopema), Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e projeto Saúde e Alegria (PSA).

Na quinta-feira (30), a professora Socorro Pena, da Ufopa, esteve em Aracampina para uma conversa com os pais dos jovens que participam do projeto piloto.

Na ocasião, ela ouviu alguns questionamentos dos estudantes e repassou orientações à comunidade sobre a importância do envolvimento de todos nesse projeto. “O bem maior é para a comunidade, para as futuras gerações. Nossa contribuição é despertar a consciência ambiental das pessoas por meio de ferramentas tecnológicas e ações de campo”, disse.

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