Crenças e crendices dividem o mês de agosto

agosto 07, 2018


Terça-feira, 7 de agosto. Ainda tá no comecinho do mês, mas a aposentada Maria Santana Soares não vê a hora dos dias passarem voando. É que, para ela, agosto é um mês longo, parece interminável e causa angústia. Com o intuito de afastar o mau agouro, Maria Santana frequenta o mês todinho as novenas da Igreja do Perpétuo Socorro, na comunidade Tabocal, no município de Santarém, oeste do Pará.
Mas a aposentada não é a única que acredita em superstição. E apesar de muita gente se dizer incrédula nos “azares” próprios de agosto, ainda é possível encontrar quem não encare o mês para se casar ou para viajar, por exemplo.




A historiadora Dyana Pereira afirma que isso é reflexo das crenças populares e superstições de antigamente e que acabam movendo a cultura atual. “Como as pessoas acreditam, elas ficam com medo e assemelham tudo o que não dá certo ao mês de agosto”, pontua.
A historiadora lembra que parte dessa crença é devido ao que aconteceu na época das navegações em Portugal. “Por não conhecerem todos os mares, rios e oceanos, muitas vezes os navegantes não conseguiam retornar ao local de origem. O fato é que, quando o Brasil foi colonizado, os portugueses trouxeram essa cultura pra cá e, até hoje, muita gente ainda tem um certo receio com o mês”, acrescenta.
Dyana lembra ainda outros fatos que foram marcantes na política, no mês de agosto, como o suicídio do então presidente da República Getúlio Vargas; a renúncia de Jânio Quadros, da presidência da República; e a morte de Juscelino Kubitscheck, num desastre automobilístico.


De acordo com o bispo da Diocese de Santarém, Dom Flávio Giovenali, a Igreja católica acredita que todos os dias são dons de Deus. “Não há nem um dia do ano que seja amaldiçoado, nem mesmo a sexta-feira santa, dia da morte de Jesus que, para nós, é considerado o dia da maior prova de amor. Portanto, agosto é dom de Deus, igual a todos os demais meses do ano”, esclarece.


O Coordenador do Núcleo Tapajós da Associação Brasil SGI (Soka Gakkai Internacional) - BSGI, Paulo Tarso, esclarece que agosto é mês do desgosto para quem acredita e vive com base nessa crença. Já para quem não acredita pode ser o melhor de todos os meses. Tarso afirma que superstições ou crendices não fazem parte dos ensinamentos do Budismo de Nichiren Daishonin, praticado pelos membros da Soka Gakkai (Sociedade de Criação de valores) que ensina sobre a prática da vida diária baseada numa forte fé na Lei do Universo e na própria pessoa. “Cada pessoa é responsável por sua felicidade ou infelicidade”, acrescenta.


Na bruxaria, agosto é um mês das energias e, por conta disso é denominado o mês do abastecimento. Os adeptos acreditam que trata-se de um período onde tudo é triplicado, tanto as ações, quanto os desejos.
A bruxa Luana Serique aproveita o mês para fazer rituais de proteção e bem-estar, invocando os quatro elementos: fogo, terra, ar e água. “Nesse período, faço o círculo de proteção para as energias ruins e peço, aos seres da natureza, proteção para todos. Também faço o círculo de bem-estar para mim, meus amigos, familiares, conhecidos e até para os inimigos”, comemora.


Para a Igreja Evangélica, o mês de agosto é especial tanto quanto os demais. Na Igreja Presbiteriana, por exemplo, os evangélicos aproveitam para fazer missões. 
Conforme o pastor Raimundo Feitoza, não existe nenhum significado supersticioso “Reservamos o mês para encorajar os missionários e as missões. O momento também faz parte de uma integração da Igrejas, como forma de ajudar no Ministério”, finaliza.

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