Dia dos Pais: Ele rompeu barreiras para encarar a paternidade depois dos 50

agosto 12, 2018


Ranivaldo José Oliveira dos Santos. Idade: 54 anos, completados neste domingo, 12, dia dos pais. Profissão: Bancário. Status: Feliz. Bem disposto, bem humorado e uma semelhança com algo que acontece com as mães: ele padece no paraíso! A filha mais nova tem apenas 01 aninho. É fruto da união com a estudante de Engenharia Civil, Josie Manuelle Belo. O mais velho, o Danilo, tem  28 anos. No total, são 4 filhos, dois meninos e duas meninas. O Gustavo tem  25 anos e a  Beatriz 21 anos. A diferença de idade entre a penúltima filha e a caçula é de 20 anos.
Bora conhecer essa história?
Olá!!! Parabéns, em dose dupla. Saúde!

No Salto: Me conta, fazer filho aos 52 anos é ter muita disposição, heim? rs rs

Hahaahah A historinha é um pouquinho longa, mas vou resumir pra você. A minha última filha, antes da caçula foi a Beatriz, que no último dia 1º. fez 21 anos. A vida até então tava seguindo bem normal. Eu estava casado com a mãe da Beatriz, já tinha três filhos. Estava satisfeito com a paternidade: dois meninos e uma menina. Minha esposa, da época, também estava contente e decidimos  que não teríamos mais filho. Mas, como a mãe da Beatriz era muito nova, ela não quis se submeter a laqueadura. Foi então que optei em fazer a vasectomia, no ano 2000. No entanto, o casamento só durou até 2007. No final do ano (2007), conheci a Josy (minha atual esposa). Ela não tinha filhos. Depois de algum tempo já convivendo juntos pintou nela a vontade de ser mãe.

No Salto: Eita, e agora?

Passamos um período bem conturbado porque eu não queria mais ser pai. Até que chegou o momento que me doeu na consciência de negar a ela o desejo de ter um filho (a).

No Salto: E ai, o que fez?

Ah, fui tentar reverter a vasectomia. A princípio tava tudo certo. O médico tinha dado esperança que poderia ser feita a reversão. Fiz a cirurgia e tudo, no final de 2012. Foram mais de quatro horas de cirurgia... Pra nada!

No Salto: Como assim?

Não deu absolutamente nada.

No Salto: Mas, tinha mais alguma chance?

Não,  tivemos que partir para inseminação artificial. Nós fizemos todos os exames. Os médicos nos garantiram que tava tudo favorável. Minha mulher fez o tratamento todo e no dia combinado voltamos ao médico. Só que quando ele foi fazer o procedimento, para a nossa surpresa, eu não tinha espermatozoide estocado. Foi um choque pra gente. A esperança foi lá pro fundo do poço. O médico, na hora, sugeriu que a gente recorresse aos bancos de espermatozoide.

No Salto: Agora vai! rs

Mas quando!!! Pense num cara, 50 e poucos anos. Machista pra caramba! Não aceitei!

No Salto: Hahahha Não foi! Putz

Nãooo. Bati o pé. Quis não! Kkkkkk Voltamos pra casa, arrasados, claro. Houve conflito, sofrimento... Até que a Josy apareceu com a proposta da gente adotar uma criança. Só que, assim, eu era uma pessoa totalmente desfavorável à adoção. Eu não achava legal, não quis e pronto! Foram mais de 3 anos de conversa, de convencimento. A gente morava em Capanema (PA) e em 2014 nos mudamos para Santarém.

No Salto: Novos ares...rs rs

Pois é! Cheguei aqui e fui convencido. rs rs Saimos em busca dos meios legais da ação. Fizemos cadastro, participamos de cursos, recebemos visitas das equipes especializadas. Até nossa casa que adquirimos, na época, já tinha o quarto da nossa filha, queríamos menina, então minha esposa providenciou todo o quarto rosa para receber a Rafaela. Já tinha nome, já tinha quarto, só faltava ela aparecer.

No Salto: E apareceu logo?

Olha, um belo dia, uma amiga nossa ligou e disse que conhecia uma moça que estava grávida do quarto filho e que depois de parir iria doar a criança. Aquela luz brilhou, né? Minha esposa foi até a mãe, conversou, analisou toda a situação. Até então não sabíamos o sexo do bebê, só mais tarde ficamos sabendo e pra nossa felicidade ia nascer uma menina, do jeitinho que sonhamos. Quando ela nasceu, a gente tava na maternidade. Trouxemos ela direto pra casa, onde recebeu e recebe todos os dias todo o carinho, amor, dedicação de pais. Dia 28 de julho ela completou 01 aninho.


No Salto: Foi uma festa?

Uma grande festa, tudo preparada com muita antecedência, acompanhei tudo, desde os preparativos. Recebemos os amigos e nos divertimos como criança.

No Salto: O conceito de amor mudou?

Mudou sim. Amor é dedicação, independentemente de qualquer coisa. Amor é altruísmo. Sem abrir mão de ser amado.

No Salto: Depois da Rafa, vem mais outros filhos?

Hahaha Não!!! Basta! A mãe também já está satisfeita agora. rs

No Salto: Qual a maior dificuldade em ser pai depois dos 50?

Nenhuma, particularmente não sinto nenhuma de verdade. Mas, acho que isso é individualidade e devemos respeitar.

No Salto: E netos, você já tem?

Sim, tenho quatro.

No Salto: Qual a relação com eles?

Amooo todos, mas eles não moram perto. Convivemos muito bem, mas a distância. O Pedro e a Maria Eduarda moram em Santarém e sempre que podemos estamos juntos.


No Salto: O que mudou na sua vida com a chegada da caçula?

Tudo. Eu pensava que não ia da conta do recado, mas estou me sentindo bem mais menino agora. Na verdade, foi uma forma de renascer. Ter um filho em uma fase mais madura é renascer para a vida. A sensação é totalmente diferente. Você já sabe o que te espera pela frente ao longo do desenvolvimento da criança. Hoje, a Rafa me faz querer curtir mais os momentos.

No Salto: Qual a diferença de ser pai agora para os primeiros filhos?

Olha, fui pai aos 24 anos, do Danilo. Eu era muito novo, tava buscando uma estabilidade. Então, por causa dessa busca acabei não tendo tempo de dar toda a atenção a ele. Eu tinha que ralar...Depois veio o Gustavo, eu morava em Castanhal, eu já havia passado no concurso da Caixa Econômica Federal, e ainda faltou um pouco de atenção, porque eu precisava me dedicar para conseguir me adaptar na profissão, queria um lugar de destaque e tal...Depois, fui transferido para o município de Itaituba, foi quando a Beatriz nasceu e eu já tava na profissão há três anos, mas mesmo assim, ainda tava naquela de trabalhar muito pra deslumbrar o sucesso na carreira. Já com a Rafaela foi totalmente diferente, Núbia, porque quando nós adotamos eu jamais imaginava que eu teria o incentivo que eu tive quando os meus três primeiros filhos nasceram, que era os oito dias de licença. Como era adoção e a Caixa é signatária do acordo de empresa cidadã, para minha surpresa eu tive seis meses de licença. A licença maternidade que as mulheres mães tem, quando nasce o bebê, pra minha surpresa eu tive esse mesmo tempo de licença.


No Salto: Que maravilha!

Pois é, eu passei seis meses, sem trabalhar, só cuidando da Rafaela e foi muito importante porque a Josy, que faz faculdade de engenharia civil, precisava fazer estágio supervisionado, e eu então virei o pai e a mãe da Rafaela durante esse período. Tive que me desdobrar. Eu fazia leite, dava banho, trocava frauda, cuidava direitinho. Foi uma experiência maravilhosa porque eu consegui, aos 53 anos, dar toda a atenção, todo o amor com mais dedicação, quase que exclusiva para a Rafaela. Então foi muito, mais muito bom mesmo, foi maravilhoso. E daqui pra frente é assim, a Rafinha me permite começar tudo de novo. Tem sido uma experiência muito gostosa. 

No Salto: Então, o que a Rafinha tem que os outros filhos não tiveram?

A compreensão que o pai tem que está presente. Isso a gente só consegue perceber com a experiência da vida.
Já tinha vivido toda a emoção, mas agora já consigo administrar melhor o meu tempo. Claro, continuo trabalhando, mas passo boa parte do meu tempo com ela.


No Salto: O que a Rafaela representa na vida desse pai?

Tudo, sem desmerecer meus outros filhos. Ser pai da Rafinha é exercer o compromisso com a vida nessa fase, depois dos 50 anos, faz com que eu me sinta vivo novamente, ter a oportunidade de um novo começo, ganhar energia e seguir em frente. Trabalho pensando naquela criaturinha me esperando. E me emociono em pensar que daqui a pouco tempo estarei ouvindo dela 'Papai, eu te amo'. Isso não há dinheiro que pague a um pai.

No Salto: O que ela te ensina?

A ter paciência. Por exemplo, em plena 21h58 tá brincando e faz questão de que eu esteja acompanhando. O pai que sou hoje é bem diferente daquele pai de ontem. Ainda cometo erros, mas agora estou estável, mais tranquilo, e acabo relevando muitas coisas. Antes tudo parecia que acontecia ao mesmo momento.

No Salto: Qual a nota que você se da como pai?

Acho que 9, porque quem tem a nota máxima pode achar que não precisa melhorar. E sempre precisamos melhorar na vida.


No Salto: Você se considera um pai realizado?

Não, acho que o papel de pai nunca é 100 por cento pleno, porque não é finito. Para o pai, o filho sempre será uma criança.

No Salto: Qual seu maior medo hoje?

Medo não tenho nenhum, mas acredito que meu maior receio é não deixar um legado bacana para meus filhos. Não deixar um bom exemplo.

No Salto: O que você quer que seus filhos herdam de você?

O respeito pelas pessoas.


No Salto: O que você gostaria de ganhar hoje?
Todos os meus filhos aqui comigo, mas infelizmente isso não será possível esse ano. Mas eu vou curtir esse dia como se todos eles estivessem aqui com a gente, até porque um filho nunca sai do coração do pai.

No Salto: Votos de felicidades constante. Feliz Dia dos Pais. Feliz Vida! 


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