Mulheres são maioria do total de eleitores em Santarém

agosto 03, 2018



Levantamento feito pelo site Na Mídia Brasil, com base nos dados estatísticos disponíveis no portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mostra que Santarém, no oeste do Pará, tem um total de 218.296 eleitores aptos a votar nas eleições gerais de outubro deste ano. Segundo o TSE, em todo o município, são 112.998 mulheres (51,8%) e 105.298 homens (48,2%). O percentual do eleitorado feminino da Pérola do Tapajós acompanha as estatísticas nacionais que mostram que as mulheres representam mais de 77 milhões de votos, ou seja, 52% dos votos de todo o país.



Conforme apurou a reportagem, o maior número de eleitoras no município tem entre 25 e 29 anos. Ao todo são 28.128 santarenas, o que corresponde a 12,89%. Em seguida, vêm mulheres com idade entre 30 e 34 anos, com 27.008 eleitores (12,37%). Dos 35 aos 39 anos, o total de eleitoras é de 25.009 (11,50%). Jovens com idade entre 21 e 24 anos, correspondem a 24.639 eleitores (11,29%). O público mais jovem, com voto facultativo, soma 450 eleitores com 16 anos (0,21%). E as eleitoras mais velhas estão entre 95 e 99 anos. São exatas 104 eleitoras (0,05%), devidamente registradas no TSE.



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Outro dado importante é quanto à escolaridade do eleitorado feminino. A maioria declarou ter o ensino médio completo. São 66.232 mulheres, o que representa 30,34%. Já as mulheres com o ensino fundamental incompleto somam 47.352 (21,69%). O total de mulheres com o ensino superior completo é de 20.655 (9,46%). E com o ensino fundamental completo são 15.377 eleitoras (7.04%).



Mas, apesar de serem a maioria, muitas mulheres ainda não decidiram em quem vão votar. No cenário nacional, 46% delas ainda não têm candidato. A santarena Angélica Brandão, 29 anos, faz parte desse percentual de eleitoras indecisas. Mas garante que estará nas urnas para exercer sua cidadania. “Ainda não sei em quem votar, mas já sei em quem não votar. Pretendo acompanhar os debates, analisar as propostas, levantar a história política e pessoal de cada candidato para me decidir”, explica a psicóloga que está no grupo das mulheres com idade entre 25 e 29 anos das eleitoras aptas a votar este ano.




Ela reconhece que o país está passando por um momento de sérias dificuldades no campo político. “Mas não acredito que seja culpa exclusiva da classe política. A população também está deixando muito a desejar. Afinal, somos nós que elegemos os governantes. Não se trata apenas de colocar políticos no poder, é necessário acompanhar, fiscalizar e fazer nossa parte como cidadão”, destaca, considerando que a corrupção contribui para a falta de interesse do eleitor na hora de votar. “Mas é sempre uma boa oportunidade repensar na importância do voto, na fiscalização”, completa.

Angélica sente falta também de mulheres representando mais o público feminino. “Acredito que ninguém pode representar a mulher, além dela mesmo e na política, precisamos de mais representantes. Precisamos de pessoas com mais consciência política, consciência que não nos foi imputada. As mulheres estão vivendo algo muito diferente do que viveu a minha, por exemplo, que não tinha nem educação básica e foi educada pra cuidar dos filhos e marido. À medida que o papel da mulher na sociedade muda, essa consciência vai sendo despertada, bem como o interesse”, resume.

E ela acredita que investir na saúde, lazer e educação, sobretudo na educação curricular e extracurricular, para ensinar o povo sobre o SUS, sobre Constituição, financiamento da saúde, da educação, arrecadação de impostos.

A assistente administrativa Geovana Katrine, 21 anos, também faz parte do grupo das indecisas. Mas ela, a exemplo da psicóloga Angélica, tem consciência de sua responsabilidade em participar do processo eleitoral e vai às urnas escolher seus representantes. A jovem ainda não tem nenhum nome definido, mas está estudando todas as propostas que surgem de pretensos candidatos. Ela defende mais investimentos na educação, pois acredita ser o alicerce de uma sociedade esclarecida e mais participativa. Geovana também investimentos na saúde, segurança pública e lamentar as poucas representantes mulheres. “A participação feminina é de extrema importância nesse debate político e na gestão da coisa pública”.



Apesar de jovem, Geovana conhece bem a função de cada cargo que está sendo pleiteado nas eleições deste ano pelos políticos. “São nossos representantes. Cabe a cada um dele, seja na esfera municipal, estadual ou federal, exercer seu mandato com responsabilidade e dignidade em prol do bem estar da população”, concluiu.

Já a engenheira civil Nadilvane Costa, 30 anos, não acredita na classe política. Mas sente falta de mais mulheres exercendo cargos públicos. “Faltam mulheres sim, mas o que eu vejo como importância é realmente pessoas que se comprometam em fazer um país melhor, independente de sexo e cor. Acredito que não seja só despertar nas mulheres esse interesse, vejo como um todo. Nosso país precisa de uma política séria, comprometida com o real interesse do povo, e isso não significa que falta despertar não só nas mulheres, falta despertar em todos mesmo”, explica.



Nadilvane ainda não sabe em que vai votar e, apesar de conhecer a importância do voto e o dever dos candidatos depois de eleito, ela não se sente representada por nenhum deles. Ela enumera prioridades que merecem investimentos por parte do Poder Público: educação, saúde e saneamento básico.

A falta de opção talvez seja um dos motivos para a indecisão da maioria das mulheres. Pelo menos é esse o ponto de vista da advogada Sheila Santos, 36 anos. Para ela, a situação atual do cenário político brasileiro, deixa o eleitor totalmente insatisfeito. “Mas apesar disso, existem poucos candidatos (beeeeeemm poucos), que ainda conseguem me passar credibilidade”, reconhece.



Ela engrossa o coro por mais representantes femininas na política. “Aos poucos essa realidade está se modificando”.

Segundo ela, os escândalos recentes acabaram servindo para escancarar o que estava acontecendo de mais podre na política do país. “Ver que alguns dos atores nesses escândalos ainda estão aptos a disputar uma eleição é desmotivador sim, mas não ter uma opção de representante que satisfaça a luta por anseios genuínos da população, é o que me deixa mais desinteressada. Eu tenho um possível candidato à Presidência, já acompanho a vida política dele há algum tempo, mas ainda não posso afirmar que ele será o candidato em quem vou votar. Ainda preciso analisar as propostas dele”, revela, sem citar nomes, mas ainda com um pé atrás.

É o sexto sentido da mulher aflorando nas horas em que um dos momentos mais importantes da nossa democracia se aproxima. Como maioria do eleitorado brasileiro, as mulheres terão um peso decisivo na hora de votar e escolher seus candidatos aos cargos de deputados federais, deputados estaduais, senadores, governador e presidente da República. “E esse é outro ponto que precisa ser trabalhado com a população em geral: a grande maioria não sabe o que um Senador, um deputado federal fazem, qual o papel de cada um no cenário político e as consequências de suas atuações. E isso é tão desestimulante quanto os escândalos de corrupção Brasil a fora”, finalizou a advogada Sheila Santos.

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