No boom das tatuagens cresce o número de adeptos da arte

agosto 10, 2018


Uma agulhada aqui, um traço ali... Assim, os desenhos vão ganhando forma e a pele um colorido todo especial. Nos últimos anos, o número de pessoas tatuadas em Santarém aumentou. Nesse grupo está inserida a massagista Elineuda Gonçalves, 39 anos, que tatuou uma fênix, no bumbum. “Sempre tive vontade e admiração por pessoas com tatuagem. E, então, também quis experimentar. Minha primeira tatuagem foi para mostrar que a mulher tem que se sentir livre”, explica. 


E não bastou muito tempo para ela voltar aos estúdios de tatuagens e sair de lá “carregando" uma coroa nas costas. “É assim que me considero, uma rainha para minha família”, ressalta. 


Mas não parou por ai ainda não! A massagista afirma que já tem data para tatuar um novo desenho: será uma pimenta, na virilha. “Sou apaixonada por pimenta. Sou muito apimentada”, revela.


De acordo com o psicólogo Igor Oliveira, antigamente, as pessoas se tatuavam, principalmente depois das guerras, para divulgar, por meio do corpo, um ato heroico. Na história atual, a tatuagem aparece como algo ligado ao crime. Mas, aos poucos, essa imagem vem mudando. A partir da adesão por parte de artistas e famosos, esse tipo de arte acabou virando uma febre. “Hoje, a tatuagem está muito ligada à questão da autoestima. “Muitas pessoas usam a tatuagem para tentar ser aceitas, notadas... Na verdade, isso só demonstra uma fragilidade da sociedade que, cada vez mais, tem buscado ser aprovada pelo externo e esconde o que é interno, ou seja, seus defeitos, suas fragilidades”, pontua.
O psicólogo explica que, parte das pessoas opta pela tatuagem por estar passando por uma situação muito ruim. Outra parte, é por conta de algo marcante; e ainda há aquelas que querem ter a lembrança de alguém para sempre marcada na pele.
O especialista orienta que as pessoas façam um estudo aprofundado do desenho que será tatuado no corpo, a fim de não se arrepender no futuro. Ele alerta aos adeptos para que não façam tattoos apenas para chamar a atenção da sociedade, ou mostrar um sentimento de autoestima, se a realidade for outra.
No estúdio do tatuador Lailson Pereira é preciso seguir regras. Menor de idade não entra. Lá, os equipamentos são todos tratados com a devida higiene para evitar qualquer problema com os clientes. 



Natural de Santarém, o tatuador possui quatro desenhos no próprio corpo e mais de 500 espalhados pelos corpos de clientes, a maioria mulheres.
Em terra de tatuador, qualquer falha pode colocar em xeque a profissão. Entre uma arte e outra, Lailson lembra a dificuldade ao tatuar um sol na axila de um homem. “Era um dos pouquíssimos espaços que ainda faltava ser tatuado no corpo de um jovem, e por ser um local enrugado e pele muito grossa, foi difícil, mas o resultado atendeu as expectativas”, comemora.
Os preços variam entre R$ 50 a R$ 3 mil. Os tamanhos e os gostos também. No estúdio, Lailson já tatuou, inclusive, um lábio com a frase “Me beija”. 


Mas, nem todo mundo que faz tatuagem fica satisfeito com os resultados. E esse é um dos motivos que levam pessoas à clínica da médica esteta, Ilmara Sousa Mamed. “Muita gente quer remover a tatuagem, não por arrependimento, mas por não ter gostado de como ficou esteticamente; outras é devido a despigmentação da sobrancelha, algumas ficam malfeitas e fora do padrão normal, portanto, não combinando com o rosto. Outra procura é de pessoas que tatuaram nome de namorado ou marido e acabaram, depois, se separando”, explica. 

Para a médica, algumas tattoos demoram até um ano para serem removidas. Mas, também, existe as mais rápidas, como as que possuem um pigmento e de coloração preta. Quanto aos valores para a remoção, são bem variados. Em média, varia entre R$ 700 a mil reais, cada sessão. “Existe tatuagem que é feita em 30 ou 40 minutos e que as vezes demora meses para ser removida, por isso é preciso que as pessoas tenham consciência do que estão fazendo no momento”, finaliza.

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